terça-feira, 5 de agosto de 2008

Vira-te Ataliba! Política pública do cacete(te)

Ataliba era um personagem utilizado pelo sistema de bibliotecas da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), para conscientizar nossos queridos universitários de que não é legal destruir os livros das bibliotecas. Ironicamente eram colados adesivos nos livros com o seguinte dizer: Te liga (sic), Ataliba! Considerando o post anterior, concluí que Ataliba poderia ser muito bem candidato a Prefeito, como diz a música da banda Bidê ou Balde: e porque não?

Pois é, viver na capital dos pampas é um aprendizado diário, principalmente, em termos de concretização de políticas públicas e queria aproveitar o pífio espaço da comunicação imediata para chamar a atenção dos Atalibas. Por exemplo, as políticas públicas voltadas a assegurar o direito à moradia, garantido por trocentos tratados, convenções, cartas de direitos humanos, além, é claro, da querida Constituição Federal Brasuca de 1988. Para tanto basta caminhar pelo centro de POA, no qual comecei a notar algumas formas de efetivar tal direito. Diga-se de passagem, o poder público é muito criativo. Afinal, há um padrão estético da urbanização moderna e nele não estão incluídas pessoas vivendo embaixo das pontes e viadutos, lógico... Pergunta: O que deve ser feitos com os (sub)cidadãos? Resposta do poder público: Ora amigos, basta fecharmos os espaços que podem ser ocupados por esses vagabundos.

Isso mesmo, surpresos? Esta é a solução, fechar espaços que poderiam ser ocupados por aqueles que não têm moradia. Há outra interessante, colocar no local onde os sem moradia dormem paralelepípedos dispostos de maneira a tornar mais confortável o sono. Ou seja, impedindo o camarada de dormir ali! Não posso esquecer-me das ocupações no centro, onde prédios abandonados, desabitados, que poderiam servir de moradia aos mais desvalidos, quando são ocupados dão início a uma batalha jurídica sem fim. No intuito de contemporizar o poder público oferece casinhas (umas iguais as outras) em um bairro bem distante, cerceando do direito de viver no centro da cidade! Ainda surpresos? Essa é a forma de se fazer políticas públicas: de pobre se quer distância, se possível muita distância. Para que o diálogo, se podemos adotar o distanciamento ou a ignorância?

E, assim, continua a política de limpeza nos centros das cidades grandes... É a velha política pública do cacete(te) e o surpreendente é que assistimos diuturnamente tais cenas sem fazer nada, como se isso fosse algo tolerável. As eleições avizinham-se. É preciso refletir o que queremos/desejamos no terreno das políticas públicas.

4 comentários:

Anônimo disse...

Infelizmente tenho de referendar o colega nessa constatação. Trabalhei no centro da nossa capital e a quantidade de ofendículos colocados em frente a possíveis "abrigos" aos moradores de rua se tornaram extremamente frequentes - uma solução aos comerciantes locais que incomodavam-se com a presença daqueles "sujeitos" dormindo em frente a seus estabelecimentos ...realmente nessa hora que constato a anestesia do homem moderno que não vê um semelhante naquele desabrigado, mas apenas um obstáculo a ser "removido" .... Aonde vamos ou aonde estamos? A nau está a deriva e não sabemos onde vamos parar...

Betinha disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Betinha disse...

Isso me lembra da brilhante solução do governo militar pra solucionar o problema das favelas cariocas: construir muros brancos que tapassem a vista...

Hector disse...

Eu queria utilizar teu exemplo, Beta. Porém, não lembrava onde e o quê... Comentário ainda que tardio! Obrigado!